
e o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães
A Associação Brasileira de Cientistas (ABC) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) realizaram, em parceria com a Abiquim, o evento Academia Empresa – Setor Químico: Sistema de Fomento de P&D para Inovação no Setor Químico, que reuniu na sede da Abiquim, no dia 12 de junho, representantes de órgãos do governo, indústria e academia para debater o que o cenário atual de inovação na indústria química e as melhorias necessárias para estimular investimentos na área.
Segundo o vice-presidente da ABC e professor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), João Fernando Gomes de Oliveira, no setor químico existe uma grande diferença entre as oportunidades e a realidade de desenvolvimento de inovações. “A oportunidade de mercado é gigante e a realidade é de um ‘gap’ muito grande do que poderia acontecer e tem acontecido. Nosso objetivo é entender quais são as razões para isso”.
Na análise de Oliveira, o País tem um cenário ruim para o investimento no setor por conta das oscilações cambiais, alto preço da energia e da matéria-prima e uma governança muito difícil de lidar no desenvolvimento de projetos de pesquisa e inovação. “O ambiente é inóspito para o investimento no setor empresarial. A inovação para o desenvolvimento do setor só acontecerá se esses entraves forem resolvidos. O setor químico precisa ser uma prioridade nacional e ter um ambiente favorável que possibilite a inovação”, avalia.
O professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e vice-presidente da Regional São Paulo da ABC, Oswaldo Luis Alves, afirmou que o setor químico é um dos mais importantes para a economia brasileira e a inovação é uma questão estratégica fundamental para o País, que possui uma grande população para ser atendida e uma biodiversidade que permite o desenvolvimento de novos produtos.
Segundo o presidente executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, é necessário definir prioridades que não sofram alterações durante o processo. “Falta planejamento e estabilidade necessários para as empresas definirem seus planos a longo prazo”. Figueiredo também destacou a importância do diálogo entre academia, indústria e organizações ligadas ao governo com o intuito de que as ferramentas de financiamento já disponíveis para a inovação estejam alinhadas com as necessidades do setor industrial.
Cenário atual
O secretário da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), Jailson Bittencourt de Andrade, afirma que a ciência tecnológica e a inovação precisam ser concebidas como uma ciência prioritária do estado. “O Brasil tem ambições grandes, mas os investimentos estão aquém. O País também precisa de um marco legal, que simplifique e destrave a burocracia”. Ele destacou ainda que a química é uma ciência essencial para fortalecer as bases do desenvolvimento sustentável com impacto direto em 10 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
O professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Galembeck, ressaltou a importância de formar mão de obra para trabalhar a nas áreas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e destacou que existe um crescimento no Brasil na oferta de cursos de química e engenharia química. No entanto, o professor lembra que apesar de o Brasil ter quatro cursos de química entre os 200 melhores do mundo, a qualidade dos cursos oferecidos no Brasil é variável. “Temos uma procura muito grande por parte dos estudantes, o que não acontece em todos os países do mundo. Ao mesmo tempo é importante o desenvolvimento de programas para inserir esses jovens nas indústrias”.
O consultor associado da Elabora Consultoria, Luís Casssinelli, apontou que as mudanças climáticas, a energia e a disponibilidade de água e matérias-primas vão definir as necessidades e as linhas de pesquisa e desenvolvimento das empresas para o futuro e para deixar de utilizar combustíveis fósseis a química precisa desenvolver novas moléculas sendo necessário investir em produtos mais amigáveis ao meio ambiente.
O evento ainda contou com a apresentação do diretor da Microbiológica Química e Farmacêutica, Jaime Rabi. Ele apontou que as mudanças na política econômica e industrial do País obrigam as empresas a inovar para se manterem competitivas no mercado. Ele finalizou lembrando que, além dos concorrentes nacionais, existe a competição com empresas de países com a Coreia do Sul, Índia e China.
















Adicionar Comentário