No acumulado do 1º quadrimestre de 2017, as vendas internas apresentaram declínio de 1,47% em relação ao mesmo período do ano passado. O índice de produção, no entanto, foi mais resistente e apresentou elevação de 3,84% nos primeiros quatro meses do ano, sobretudo pelo desempenho das exportações, que subiram 1,9% em igual período de comparação. O consumo aparente nacional (CAN) cresceu 13,6% nos primeiros quatro meses do ano, também sobre iguais meses do ano anterior, lembrando que a base de comparação do início do ano passado havia sido negativa. Na média dos primeiros quatro meses do ano, a taxa de ocupação das instalações foi de 79%, um ponto acima da de igual período de 2016. No que diz respeito ao índice de preços, houve alta de 8,36% no acumulado do 1º quadrimestre do ano, acompanhando, principalmente, os movimentos do mercado internacional, especialmente dos produtos derivados do petróleo. “As importações voltam a ocupar uma fatia maior da demanda doméstica por produtos químicos, enfatizando a falta de competitividade do setor” ressalta a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira.
Na comparação dos últimos 12 meses, de maio de 2016 a abril de 2017, o desempenho ainda é positivo em todas as variáveis de volume, especialmente pela fraca base de comparação do período imediatamente anterior, com os seguintes resultados: produção +4,61%, vendas internas +5,28% e CAN +10,1%. A utilização média da capacidade instalada ficou em 80% nos últimos 12 meses, dois pontos acima da taxa que havia sido registrada nos 12 meses anteriores. “Apesar da melhora, a ociosidade ainda se encontra em patamares elevados para os padrões da indústria química mundial, o que desestimula as empresas a investirem no País”, explica Fátima.
Segundo a diretora, a piora do quadro político dos últimos dias, além de trazer imprevisibilidades sobre o que ocorrerá com as principais variáveis macroeconômicas, trouxe também a desvalorização do real em relação ao dólar, que pode trazer algum impacto sobre o cenário de compras e vendas ao exterior e estimular as empresas a buscarem ainda mais alternativas para elevar os volumes exportados.
“Apesar do momento difícil e de muitas incertezas, não se pode deixar de pensar no longo prazo e tentar manter o foco em questões estruturais, que devolvam competitividade ao País. Além disso, devem ser destacados importantes programas sob a área do Ministério de Minas e Energia (MME), como o Gás para Crescer, que tem por objetivo a definição de um marco regulatório para o gás natural, que deve trazer uma nova dinâmica ao mercado, o Combustível Brasil, que também tem por meta traçar as necessidades do País em termos de refino de derivados do petróleo, e o Renova Bio. Esses programas não podem parar. Os mesmos envolveram a participação de toda a sociedade, por meio de consulta pública, e são realmente necessários. Para a química, os três programas são de extrema relevância pois tocam no que há de mais importante para o setor, a disponibilidade e a competitividade de suas matérias-primas básicas. É preciso esclarecer que as principais matérias-primas do setor são utilizadas prioritariamente no Brasil como combustíveis ou energéticos, portanto, é muito importante que exista a previsibilidade para o suprimento ‘não energético’, ou como matéria-prima, desses importantes recursos no planejamento energético brasileiro”, finaliza Fátima.
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