Foram comercializadas, em abril, 257.885 unidades contra 300.574 vendidas em março, segundo Afanvea
Mercado

ABDI analisa dados da produção industrial

Os principais países desenvolvidos estão se movendo no sentido de revigorar e aumentar competitividade das suas indústrias via a adoção de novas tecnologias e também na maior agregação de valor. O crescimento de 2,3% na produção industrial em dezembro, na comparação com o mês anterior, dá novo alento as expectativas em relação à economia em 2017. Foi o segundo crescimento consecutivo na comparação mês a mês. O bom desempenho foi puxado principalmente pelos bens de consumo duráveis, com forte influência do setor automotivo. Observada pelas categorias de uso, a boa notícia foi além dos bens de consumo duráveis, alcançando os bens intermediários e os bens de consumo não duráveis (tabela 1). Mais do que isso, 16 dos 24 ramos industriais pesquisados mostraram aumento da produção em dezembro.   Tabela 1 – Crescimento da produção física por categorias de uso
Categorias de uso Dezembro 2016 / Novembro 2016 Dezembro 2016 / Novembro 2016 Acumulado no ano
Bens de Capital -3,2 17,3 -11,1
Bens Intermediários 1,4 -0,5 -6,3
Bens de Consumo 1,8 -2,2 -5,9
   Duráveis 6,5 4,8 -14,7
   Semiduráveis e não Duráveis 4,1 -3,6 -3,7
Indústria Geral 2,3 -0,1 -6,6
Fonte: IBGE. Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF)   O momento da indústria soma-se ao bom resultado da balança comercial em 2016, que acumulou um superávit superior a US$ 47 bilhões. Os desempenhos da indústria e da balança comercial permitem retirar pressão das expectativas para o ano de 2017, marcadamente porque dão ao Governo Federal maior liberdade para fomentar nova trajetória de recuperação da economia brasileira.   O caminho, contudo, não será nem simples e fácil. Internamente, a superação dos problemas macroeconômicos exigirá ainda alguns meses. Por exemplo, a indústria de bens de capital, setor fundamental para o desenvolvimento do país, foi o único, entre as grandes categorias de uso, a mostrar queda na produção no comparativo mensal (dezembro/novembro). Por isso mesmo que a difícil conjuntura para a geração de empregos e a necessidade de recuperação dos investimentos constituem, hoje, os grandes problemas a serem enfrentados em meio a lenta recuperação da demanda interna. A própria necessidade de elevar a competitividade da produção nacional, após muitos anos de baixo crescimento da produtividade na indústria e nos serviços, coloca no horizonte desafios que ultrapassam a conjuntura e remetem à decisões importantes para o futuro do setor produtivo brasileiro.   Por outro lado, no campo internacional, o Brasil enfrenta, hoje, desenvolvimentos tecnológicos gestados nas nações mais ricas e que implicarão em mudanças importantes na produção, nos produtos e nas trocas internacionais nos próximos anos. Aqui, os desafios são: 1. a Indústria 4.0, uma forma de produzir bens com elevadíssima eficiência, utilizando máquinas integradas que trocam informações entre si através do avanço proporcionado pela “Internet das coisas”; 2. Aprimoramento da economia, a integração de serviços de alto valor agregado aos produtos fabricados; e 3. a Incerteza dos parceiros comerciais, marcadamente a China, frente aos primeiros sinais protecionistas dados pelos Estados Unidos no novo ciclo de poder.   Cabe destacar que os principais países desenvolvidos estão se movendo no sentido de revigorar e aumentar competitividade das suas indústrias, via a adoção de novas tecnologias e também na maior agregação de valor.   Com a posse do republicano Donald Trump no Governo dos Estados Unidos, nota-se a adoção de discurso de certa forma protecionista, mas também apresenta a preocupação em revigorar a indústria estadunidense. A sociedade americana tem instituições mais sólidas e metas de longo prazo que sobrepõe muitas vezes incertezas conjunturais sejam políticas ou econômicas e, por isso mesmo, é necessário mencionar que o “revigoramento” da indústria já estava presente no Governo Obama, com a preocupação em potencializar a estratégia ‘advanced manufacturing”, com a integração de áreas da indústria, agricultura (bioeconomia) e serviços de maior valor agregado.   Não são apenas os Estados Unidos que passaram por um processo de retomada e reestruturação das suas políticas voltadas para o desenvolvimento produtivo, mas também países da Europa, como a Inglaterra, que também lançou uma estratégica recente com foco no aumento da competitividade da sua indústria nos próximos anos e também Portugal com o lançamento da estratégia “Indústria 4.0”, com foco na dita quarta revolução industrial.   Esse conjunto formidável de desafios está longe, porém, de significar prorrogação das dificuldades vividas nos anos 2015 e 2016. Na verdade, cada um dos desafios apontados implica em um conjunto amplíssimo de negócios que podem ser conduzidos, estimulados e mesmo criados nos próximos anos. As apreensões que nublam o otimismo das atividades econômicas já dominadas pelo país, marcadamente na indústria de transformação e nos serviços tradicionais, precisam e serão superadas tão logo os frutos dos primeiros esforços de ação integrada entre setor privado e Governo comecem a clarear o horizonte das oportunidades. Um exemplo disso, são os acordos comerciais que o Brasil negocia com parceiros cada vez mais desejosos de estabelecer trocas com o país e que devem ter uma crescente nas exportações.   De outro modo, a estrutura produtiva brasileira – a mais complexa do hemisfério sul – o tamanho do mercado interno e a qualidade das universidades tornam a economia brasileira, além de resiliente, capaz de gerar respostas criativas e empreendedoras aos desafios apresentados. Além disso, o sistema financeiro saudável, muito longe de crises ou fragilidades, a estrutura estatal em pleno funcionamento e a ausência de conflitos internos, somada a amplitude geográfica com suas implicações, permite afirmar que as condições potenciais para superação dos gargalos estão disponíveis e, ao fim e ao cabo, darão ao país oportunidades incontáveis de negócios e oportunidades ainda não imaginadas.   O que não é viável ao país é deixar o momento favorável esvair-se sem aproveitar as boas expectativas e o bom ânimo que gera no empresariado, trabalhadores, consumidores e setor financeiro. É muito importante que as escolhas sejam feitas e o setor produtivo como um todo, possuindo um Norte, seja estimulado à criação de riqueza e renda para toda a população. O caminho é único: aumentar a produtividade brasileira com a agregação de valor aos bens e serviços produzidos a partir da ação conjunta entre Governo e setor privado.   O trabalho, todavia, exigirá esforço de ambas as partes, investimentos direcionados para setores portadores de futuro e, principalmente, o uso da potente criatividade da população brasileira aplicada à produção e a geração de tecnologias inovadoras.   Sobre a ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI surgiu no momento de retomada das políticas públicas de incentivo à indústria, em 2004, e se legitimou com órgão articulador dos diversos atores envolvidos na execução da política industrial brasileira. Em mais de uma década de atuação, sob a supervisão do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a ABDI oferece à indústria um centro de inteligência para a construção de agendas de ações setoriais e para os avanços no ambiente institucional, regulatório e de inovação no Brasil, por meio da produção de estudos conjunturais, estratégicos e tecnológicos.