Vendas brasileiras para outros países alcançam US$ 9 bilhões

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Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) revela que as exportações brasileiras de produtos de defesa e segurança somaram no ano passado pouco mais de US$ 9 bilhões, o que representou um crescimento de 27% em relação a 2013. Do total dessas vendas, mais de 40% tiveram apoio do Projeto Setorial Brasil Defense, criado em 2009 e desenvolvido pela Apex-Brasil em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Seguraça (ABIMDE).

De acordo com dados disponibilizados pela Apex-Brasil, o valor total das exportações de produtos de defesa e segurança cresceram mais de dez vezes em relação a 2010, quando somaram US$ 834,67 milhões. No mesmo período, a participação das vendas apoiadas pelo Brasil Defense saltou de US$ 75,9 milhões para US$ 3,9 bilhões. A inciativa tem a finalidade de promover a competitividade das empresas brasileiras, principalmente as pequenas e médias, por meio da exposição internacional e do relacionamento com adidos comercial-militares e outros representantes governamentais de países compradores.

Entre os dez principais itens exportados no âmbito do programa em 2014, o de aeronaves e aeropeças representa mais de 90% do total, com destaque para a Embraer. Mesmo assim, a gigante do setor aeroespacial é seguida por um grupo responsável por vendas internacionais que somaram mais de US$ 260 milhões no ano passado. Entre os destaques estão a CBC, fabricante de munição e outros equipamentos, e a Condor, líder mundial na produção de equipamentos não-letais.
“Há de se notar que houve um grande salto nas exportações brasileiras do setor no período. Boa parte dessa evolução se deve ao Brasil Defense, porque a partir do momento em que o projeto setorial teve início, houve um melhor conhecimento das empresas por conta das ações. Uma série de feiras internacionais foram promovidas, as empresas brasileiras participaram, se tornaram conhecidas, tiveram esse acesso a oportunidades de negócios e, por conta da boa qualidade do produto, passaram a ter novos negócios. E essa evolução se deu de forma praticamente natural”, avalia o supervisor de Máquinas, Equipamentos e Agronegócios da Apex-Brasil, Maurício Manfré.

Pequenas e médias empresas
Manfré avalia que há espaço para a inserção de pequenas e médias empresas no mercado internacional, desde que elas tenham essa atividade como fator estratégico para os negócios. Ele cita como exemplo a Vertical do Ponto, especializada na fabricação de paraquedas militares, que destina parte de suas vendas para a Europa.

Ao longo dos últimos cinco anos, o número de empresas apoiadas pelo Brasil Defense triplicou, alcançando 64 participantes. Ao mesmo tempo, a quantidade de destinos das exportações dobrou, alcançando 92 países. Foram vendas para quase todos os continentes, abrangendo América do Norte, Europa, Ásia, África e Oriente Médio. Os Estados Unidos foram os principais compradores, seguidos de Irlanda, China e México.

De acordo com o superintendente da Apex-Brasil, os números relativos às exportações de produtos de defesa e segurança indicam que o crescimento registrado nos últimos anos foi sustentado. Para este ano, a expectativa é um faturamento em linha com o registrado em 2014. “Com o início das exportações do jato KC-390 da Embraer e de outros produtos, a perspectiva é de aumento das vendas em 2016”.

Manfré cita como um destaque à parte em 2014 o desempenho da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) no comércio exterior. Empresa pública criada em 1982 e vinculada ao Ministério da Defesa, a Emgepron é especializada na gerência de projetos, tais como embarcações militares, reparos navais, sistemas de combate embarcados, munição de artilharia, serviços oceanográficos e apoio logístico. “É um estaleiro de engenharia naval que consegue muitos contratos internacionais e que faz muita diferença para o setor”, explica.

Contigenciamento de recursos
O vice-presidente executivo da ABIMDE, Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, avalia que as exportações adquiriram ainda mais relevância para a indústria de defesa e segurança, dadas as incertezas criadas com o contingenciamento de recursos no orçamento do Ministério da Defesa este ano.

“O ministro disse que fará todo o possível para que os programas que estão no PAC Defesa não sejam atingidos, porque até existem compromissos internacionais”, disse o presidente da ABIMDE durante a LAAD Defence & Security 2015, realizada em abril, no Rio de Janeiro.

Maurício Manfré, da Apex-Brasil concorda com a estratégia de busca do comércio exterior como alternativa para as incertezas que o setor enfrenta no mercado interno. Ele observa, contudo, que os resultados não são imediatos a partir da decisão de buscar oportunidades para exportação, mas é possível agilizar esse processo por meio do programa setorial com a ABIMDE.

Manfré avalia que, além da inovação tecnológica, os produtos com mais chances de colocação no mercado internacional são aqueles com capacidade de se adaptar às mais variadas demandas de diversos clientes.

Itens importados
Apesar dos números expressivos apresentados pela Apex-Brasil, os produtos de defesa e segurança ainda apresentam uma participação de itens importados em sua composição. Essa é uma das conclusões da pesquisa “O mercado das empresas brasileiras da Associação Brasileira das indústrias de materiais de defesa e segurança – ABIMDE”, do coordenador do Núcleo de Estudos de Defesa da Universidade Federal Fluminense (UFF Defesa), publicado há um ano.

A pesquisa, que consultou cerca de 25% dos associados da ABIMDE, procurou identificar as necessidades de faturamento mínimo para as empresas se manterem ativas no mercado de defesa e segurança. Para isso, foi pedido a elas que informassem, em ordem de prioridade, em quais das cinco modalidades de mercado de defesa elas pretendiam atuar. Em primeiro lugar ficou a venda de produtos de defesa, seguida de pesquisa e desenvolvimento e mautenção de produto de defesa, entre outros.

“Esses dados confirmam a impressão existente, com base nos grandes déficits da balança comercial brasileira em produtos de alta e média-alta tecnologia, de que, de uma maneira geral, o setor industrial do Brasil se concentra na produção de sistemas finalísticos, com grande dependência na importação de produtos intermediários, de alta tecnologia, necessários à fabricação daqueles produtos. Ou seja, o setor industrial mostra uma vocação para a fabricação de produtos finalísticos, com alguma capacidade de engenharia de sistemas, principalmente para sistemas de defesa, mas com uma grande dependência em insumos sensíveis que são majoritariamente importados”, conclui o trabalho. (Indústria de Defesa & Segurança