Siemens trabalha em transformador que pode ficar submerso

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Projeto é conduzido na fábrica de Jundiaí e deve chegar ao mercado entre outubro e novembro de olho no entarramento de redes no país

A subsidiária brasileira da Siemens projeta ter ainda este ano apresentado globalmente a sua solução de transformadores a seco que podem ser utilizados em instalações subterrâneas mesmo em áreas sujeitas a alagamentos. Com isso, a empresa começa a buscar o mercado de distribuidoras, principalmente aquelas que possuem projetos de enterramento da rede para avançar neste segmento, que tradicionalmente utiliza transformadores a óleo em postes, que são mais baratos que os equipamentos a seco.

Essa tecnologia de transformadores a seco não é nova, já é aplicada no mercado há bastante tempo sendo mais comum de ser encontrada na indústria ou em hospitais, por exemplo, por demandar espaços mais reduzidos do que os seu equivalente a óleo. Mas, ainda há situações em redes de distribuição enterrada que se utiliza os equipamentos a óleo, o que a depender da condição em que o ativo se encontra pode levar a grandes riscos de explosões, assim como pode ocorrer mesmo nas unidades instaladas em postes.

De acordo com o gerente geral do segmento de transformadores e distribuição da Siemens, Vágner Lucca, exemplos de acidentes com esse tipo de equipamento já foram reportados em São Paulo e Rio de Janeiro. O executivo disse que o projeto em desenvolvimento na fábrica de Jundiaí (60 km da capital São Paulo) inicialmente visa atender ao mercado de enterramento de redes tomando carona, por exemplo, em uma legislação da cidade de São Paulo que determina o enterramento dos fios da rede de distribuição.

Este, inclusive, é um dos motivos que levaram a empresa buscar um equipamento que pudesse ficar submerso, mesmo em operação. Afinal muitas regiões da capital paulista são pontos históricos de alagamento em decorrência das chuvas, resultado do processo de urbanização e da própria localização da cidade.

“Esse equipamento será lançado para o mundo a partir do centro de desenvolvimento que temos aqui no Brasil”, comemorou Lucca. “O transformador poderá ser aberto ou encapsulado a depender do cliente. Mas o adequado é que seja aberto por problemas de refrigeração”, indicou. O segredo, continuou, é a resina que se utiliza que permite até haja uma aproximação do equipamento mesmo em operação.

Apesar de focar em redes subterrâneas, comentou Lucca, a empresa pode considerar sim aplicar o produto nas redes aéreas, que respondem pela imensa maioria do mercado nacional. Dentre as vantagens para ambos os mercados está a questão da durabilidade em comparação aos modelos a óleo. São de 20 a 25 anos segundo a fabricante, sem necessidade de manutenção, obviamente, desde que utilizado corretamente, ante uma estimativa de até oito anos no caso da versão a óleo. “Geralmente, se você coloca na ponta do lápis e considera o custo de operação e manutenção ao ongo da vida útil do transformador o equipamento a seco é mais vantajoso”, argumentou ele ao lembrar que a diferença de preços é de cerca de 20% em modelos de capacidade similar.

A meta da empresa é de lançar o produto entre outubro e novembro de 2018, a depender dos testes que serão realizados ao longo do ano e de questões mais burocráticas, como a homologação do produto. Lucca disse que essa é a previsão com a qual a companhia trabalha, mas não descarta poder antecipar esse lançamento.

Outro destaque que ele deu – além de ser uma tecnologia baseada no país – é que a fábrica local será a responsável pela produção e exportação para a América do Sul e Central. Nos demais mercados as outras unidades da multinacional receberão o projeto para atender a outras localidades, o que na prática permite a tecnologia desenvolvida no Brasil chegar a qualquer local do mundo. (Canal Energia)