O que falta para que o Brasil conquiste a excelência em inovação

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Fórum Inovação: Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), coordenada pela CNI, debateram no evento (Fabio Rizzato / Biofoto/EXAME)

O Brasil ainda caminha a passos lentos na busca pela inovação. O país está na 69ª posição do Índice Global de Inovação, principal ranking internacional sobre o tema, e despencou 22 posições nos últimos sete anos.

A resposta para o que falta para o Brasil conquistar a excelência em inovação não é simples, mas alguns caminhos possíveis foram debatidos no EXAME Fórum Inovação, realizado por EXAME e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta manhã, em São Paulo.

O evento reuniu líderes empresariais de uma iniciativa que tem ganhado força no Brasil, a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), coordenada pela CNI.

Para a presidente da SAP Brasil, Cristina Palmaka, a excelência em inovação só vai se tornar realidade com diálogo aberto e indicadores claros do que o país quer buscar. “Precisamos perseguir esses indicadores de forma acelerada. Temos que transformar a simpatia do brasileiro pela internet e pelo Facebook em algo produtivo”, diz.

Velocidade é a chave para a transformação acontecer e, para isso, líderes empresariais apontam que é preciso se desprender de algumas amarras características do Brasil. Entre elas, condições macroeconômicas, insegurança jurídica e carga tributária.

“Temos 40 empresas multinacionais. Isso é muito pouco e reflete esse problema”, diz o presidente da Iochpe-Maxion, Dan Ioschpe.

Há também amarras culturais, como sugere o presidente da GranBio, Bernardo Gradin. Ele destaca que o brasileiro, em geral, tem pouca tolerância ao risco. No entanto, o fracasso é a base para a inovação. “Se tivermos que acertar de primeira sempre, não vamos inovar nunca”, explica.

Momento é de oportunidade
Apesar das dificuldades e do longo caminho pela frente, líderes empresariais acreditam que o momento é oportuno para acelerar a inovação no Brasil.

“É hora de tomar decisões estratégicas que possam nortear o caminho a ser percorrido nos próximos cinco ou dez anos. As tecnologias disruptivas vão nos invadir se não fizermos nada”, diz o presidente da Bosch América Latina, Besaliel Botelho.

A tecnologia já está presente no país, mas falta transformá-la em benefícios para a sociedade. “Às vezes achamos que a inovação é algo megalomaníaco. Podemos pensar em inovação como ciclos curtos. A inovação virá de pequenos processos”, defende Palmaka, da SAP Brasil.

Instrumentos para inovar se tornam cada vez mais acessíveis e está mais fácil utilizá-los para dar grandes saltos. “A democratização de acesso que vem junto com a evolução tecnológica é importante”, diz o vice-presidente executivo de Engenharia da Embraer, Mauro Kern.

Além de instrumentos mais acessíveis, uma nova geração de empreendedores também contribui para o avanço mais acelerado da inovação . “Tem mais gente disposta a empreender mais cedo, que aceita o erro”, ressalta Gradin, da GranBio. (Exame)