Indústria química: receita sobe em reais e dólar, mas déficit comercial chega a U$ 29 bi em 2018

Abiquim apresentou desempenho do ano em evento para mais de 600 pessoas

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A Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim anunciou hoje que o faturamento do setor deve subir em 2018 cerca de 20% em real e 5% em dólar. A entidade estima um faturamento de 127,9 bilhões de dólares ou 462,3 bilhões de reais. “Os números positivos escondem um grande desafio, pois este crescimento nos traz de volta ao patamar que tínhamos em 2008”, afirmou o vice-presidente do Conselho Diretor da entidade, Fernando Musa.

O déficit da balança comercial do setor voltou a crescer e deve chegar a aproximadamente US$ 30 bilhões. “25% do faturamento do setor vem dos produtos exportados. Estamos gerando empregos e renda no exterior”, declarou o executivo, “mas estamos prontos para investir aqui uma vez que as condições de competitividade global estiverem presentes”.

A entidade apresentou também um estudo sobre os entraves burocráticos à competitividade da indústria química, em que identificou 23 pontos a serem resolvidos. “O Brasil pode economizar de R$1 bilhão a R$ 1,5 bilhão por ano se as medidas que propomos forem adotadas”, afirmou o presidente-executivo da entidade, Fernando Figueiredo.

Além da burocracia, a Abiquim mapeou outras 73 propostas nas dimensões matéria-prima, logística, tecnologia, energia, comércio exterior e regulação, para reconquistar a competitividade da indústria química no Brasil. “São propostas que não oneram o setor público, dependem apenas de vontade política e que, se adotadas poderiam aumentar o PIB do setor químico em 20% nos próximos quatro anos, e dobrar até 2030”, ressalta Marcos de Marchi, presidente do Conselho Diretor da entidade.

A Abiquim também lançou o Compromisso Voluntário da Indústria com a Economia Circular do Plástico, com o objetivo de dobrar o índice de reciclagem de plástico até 2030 e atingir 100% de reciclagem até 2040. “São metas ambiciosas, mas possíveis”, afirma Edison Terra, coordenador da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas, Coplast, da Abiquim. “Nós queremos dialogar com todos os setores sobre este tema. Se de um lado, os benefícios do plástico para a humanidade são insubstituíveis, por outro, a gestão de resíduos sólidos é uma questão complexa”, ressalta o executivo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que a Reforma da Previdência é uma pauta que precisa ser debatida com urgência, sendo necessário que haja um regime equilibrado que atenda a todos. A Frente Parlamentar da Química (FPQuímica) também anunciou o seu novo presidente para o próximo biênio, o deputado Alex Manente, líder da bancada do PPS na Câmara dos Deputados, que ressaltou a importância do País ter uma indústria química forte e que será necessário debater temas como a matéria-prima, cuja competitividade precisa ser maior.

O deputado João Paulo Papa (PSDB/SP), que ocupou a presidência da FPQuímica, no último biênio, foi homenageado e lembrou o trabalho desenvolvido pela Frente para estimular o desenvolvimento do setor. O deputado Orlando Silva (PCdoB/SP) destacou a união entre parlamentares de diferentes partidos e o trabalho realizado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, para haver um pacto pelo desenvolvimento da indústria nacional.

O 23º ENAIQ – Encontro Anual da Indústria Química teve o patrocínio das empresas: BASF, Braskem, Cesari, Deten, Dow, Eastman, Elekeiroz, Granel Química, Ingevity, Innova, Nitro Química, Nouryon, Oxiteno, Rhodia Solvay, Suatrans, Unigel, Unipar Carbocloro e White Martins.