Exportações de US$ 862 milhões representam pior resultado mensal em produtos químicos desde a crise econômico-financeira internacional

Redução do Reintegra representará retrocesso para a inserção competitiva do Brasil no mercado internacional.

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O mês de maio foi particularmente preocupante para o setor químico brasileiro. Com resultados diametralmente opostos, as importações em produtos químicos foram as maiores desde setembro do ano passado, totalizando praticamente US$ 3,5 bilhões no mês, ao passo que as exportações, de US$ 862 milhões, representaram o pior resultado mensal em produtos químicos desde a crise econômico-financeira internacional em idos de 2008.

Igualmente, as perspectivas para até o final do ano e para os próximos são bastante desencorajadoras no contexto da redução da alíquota do Reintegra de 2% para ínfimos 0,1% e da revogação do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), por meio da Medida Provisória 836, de 30 de maio de 2018, medida que poderá gerar o fechamento de plantas, postos de trabalho e causar perdas que poderão chegar a R$ 3 bilhões até 2021.

Nos últimos doze meses (junho de 2017 a maio de 2018), o déficit da balança comercial de produtos químicos, de US$ 25,2 bilhões, é mais um indicador que sinaliza para um agravamento do cenário, apontando um avanço de 7,7% na comparação com o déficit do total de 2017, de US$ 23,4 bilhões. De janeiro a maio de 2018, o Brasil importou US$ 15,6 bilhões e exportou US$ 5,4 bilhões em produtos químicos, perfazendo um déficit de US$ 10,2 bilhões no período. Na comparação com os mesmos meses do ano passado, as importações cresceram 11,8%, enquanto houve retração das exportações em 2%.

“Se considerada a situação de fragilidade do mercado interno e a necessidade imperiosa de exportação, a redução do Reintegra – definido pelo Governo como um benefício, quando, na verdade, é um mecanismo de ressarcimento tributário – não faz o menor sentido. Essa decisão coloca em risco a frágil retomada do crescimento econômico brasileiro e especialmente os empregos de qualidade gerados pelas empresas exportadoras de produtos de alto valor agregado e de elevado nível tecnológico, como é o caso da química”, destaca o presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo.