Crise econômica do País puxa vendas e demanda interna por produtos químicos para baixo

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De acordo com levantamento da Equipe de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), os principais indicadores de demanda interna por produtos químicos de uso industrial fecharam os últimos 12 meses encerrados em janeiro de 2016 com resultados negativos, na comparação com igual período imediatamente anterior. Nesse intervalo, as vendas internas caíram 5,22% e o Consumo Aparente Nacional (CAN) teve queda de 6,4%. Segundo a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, parte expressiva dessa performance negativa está associada ao declínio da atividade econômica no mercado interno, que teve início em meados de 2014, e estende-se até agora.

Fátima Giovanna lembra também que esses resultados estão refletidos nos números do PIB industrial brasileiro, que vem apresentando taxas negativas nos últimos dois anos, puxados, especialmente, pela indústria de transformação e construção civil. “Em 2015, os dados que medem o desempenho de mercado doméstico apresentaram retrações significativas, de 5,37% nas vendas internas e de 6,80% na demanda nacional. Importantes segmentos clientes reduziram expressivamente a atividade, com impacto na cadeia química, que fornece produtos principalmente para indústria automobilística, construção civil, linha branca, alimentos, embalagens, entre tantos outros, que foram profundamente afetados pela crise econômica”, observa a diretora.

Apesar da retração da demanda interna, teve crescimento o índice de exportações de produtos químicos de uso industrial, o que causou impacto direto na produção, que teve alta de 0,95% nos últimos 12 meses até janeiro de 2016, em relação ao mesmo período imediatamente anterior. Segundo Fátima Giovanna, isso aconteceu porque a atividade interna fraca no País levou as empresas do setor a buscarem alternativas para manter-se em operação mínima, a fim de não encarecer os custos unitários de produção. “É de se destacar o esforço das companhias, ainda que com margens reduzidas, na busca pelo mercado externo. Isso se deve também à desvalorização do real em relação ao dólar. No entanto, o câmbio, apenas, especialmente por sua volatilidade, ainda não é suficiente para estimular uma competição mais efetiva no mercado internacional e alavancar a produção. Além do custo Brasil, que mina a competitividade, como a demanda não está aquecida no mundo, existem excedentes que estão sendo comercializados a custos marginais, desalinhando a oferta e os preços de diversos produtos. Ademais, para as empresas de menor porte, há uma dificuldade de elevação do volume exportado. Portanto, há limites para a expansão da produção com o enfraquecimento da demanda doméstica”, explica Fátima Giovanna.

Para atenuar os efeitos do quadro recessivo, a diretora da Abiquim defende a manutenção do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) e entende que, passados seis anos da divulgação da Lei do Gás (que prevê uma política de diferenciação e competitividade para o gás natural utilizado como matéria-prima), o governo precisa concretizar a previsão legal. “Além disso, para o aproveitamento das oportunidades que o mercado externo tem oferecido, é fundamental a elevação da alíquota do Reintegra para patamares que garantam a devolução dos impostos escondidos ao longo do processo de produção”, avalia Fátima Giovanna.

Para a economista, o Brasil também precisa rever seu atual modelo energético. “Não é possível que a indústria tenha de pagar a conta – e uma conta cada vez maior – em termos de políticas sociais, enquanto os principais competidores da química no mundo veem sua tarifa de energia cada vez mais competitiva. Além dessas questões, os entraves logísticos encarecem o produto nacional, anulando, muitas vezes, o esforço das empresas na busca por ganhos de eficiência”.

Fátima Giovanna encerra lembrando que o Brasil pode estar perdendo chances, que podem ser irrecuperáveis, de atrair investimentos. “As oportunidades existentes no País, especialmente na química, também estão na mira de análise de outros países. Apesar de o Brasil ainda ser um dos países mais atrativos, especialmente pelo tamanho do seu mercado, uma vez perdida a ocasião, será preciso aguardar um novo ciclo e não se pode prever quando isso ocorrerá, se ocorrer”.