CASACOR vive a sustentabilidade na prática com metas para 2020

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A introdução sistemática dos preceitos de sustentabilidade, em um evento do porte da CASACOR São Paulo (até 29 de julho, no Jockey Clube), engloba mais do que aspectos de gestão e controle dos recursos utilizados na mostra. “É um processo de mudança e assimilação cultural, que está gerando resultados efetivos medidos por meio de indicadores ambientais”, destaca Luiz Henrique Ferreira, diretor da consultoria Inovatech Engenharia, responsável pelo Plano de Sustentabilidade da maior e melhor mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas.

 

Em 2017, o consumo de água do evento foi de 3411 m³, 13% inferior a meta estipulada, com uma economia que poderia suprir as necessidades de uma pessoa por 12 anos. O aproveitamento das águas da chuva para irrigação das áreas de paisagismo evitou o consumo de 18 mil litros de água potável. A geração de resíduos foi de 1933 toneladas, 28% inferior à meta estipulada e 98% valorizada, o que evitou o descarte em aterros de uma quantidade de resíduo equivalente à produzida por 1,8 milhão de pessoas em um dia. Além disso, mais de 3,5 toneladas de restos de alimentos foram transformadas em adubo e 8,2 toneladas de materiais foram doados para ONGs.

 

As ações de sustentabilidade ganharam visibilidade com a repercussão na mídia e atraíram empresas patrocinadoras ambientais da mostra. Para este ano, a organização trabalha na elaboração do inventário de gases de efeito estufa com o objetivo de reduzir as emissões em 40%. De 2017 até o momento, a CASACOR investiu seis vezes mais em treinamentos e reuniões sobre o tema, um aumento de 587% se comparado ao ano passado. Com isso, 82% dos profissionais envolvidos com a realização do evento preencheram os relatórios de boas práticas de sustentabilidade, uma significativa adesão.

 

A mudança de cultura também acontece por meio de simples ações que muitas vezes tem um efeito simbólico. Este ano, o tamanho dos mapas impressos em papel e utilizados para indicar a localização dos espaços e locais de serviços na mostra foi diminuído. Esse procedimento economizou a quantidade de papel/mapa que, se colocada em sequência, seria equivalente a distância do marco zero da Praça da Sé ao Bairro do Jabaquara, em São Paulo.

 

Todo esse trabalho tem origem no mapeamento de processos e desenvolvimento de fluxogramas para detalhar as atividades necessárias à realização da mostra. “O objetivo é encontrar possíveis sinergias e pontos de otimização, o que gera a formalização do compromisso de sustentabilidade da CASACOR”, segundo Ferreira.

 

Entre as ações realizadas para a conquista dos resultados estão a medição descentralizada do consumo de água e energia elétrica e definição de metas de redução; monitoramento detalhado dos indicadores durante a montagem e desmontagem; compostagem dos resíduos dos espaços de alimentação; uso de estruturas temporárias desmontáveis e reaproveitáveis; para conforto e eficiência energética, o monitoramento de temperatura e iluminação nos ambientes; utilização de dispositivos economizadores nos banheiros e vestiários; e conscientização dos profissionais envolvidos na realização do evento.

 

Em pesquisa realizada, 89% dos profissionais consideraram as orientações de sustentabilidade como boas ou ótimas. A satisfação se reflete em números como, por exemplo, o de economia de água, que representou 63 litros por metro quadrado por ambiente para cada arquiteto, paisagista ou designer durante a mostra.

 

A parceria entre a Inovatech Engenharia e CASACOR surgiu em 2015 com o desafio de tornar a maior mostra de arquitetura, decoração e paisagismo das Américas referência em sustentabilidade e inspirar o setor para práticas responsáveis. A consultoria elaborou um plano de metas anuais até 2020 e, em 2016, ajudou a publicar o primeiro Relatório de Sustentabilidade da mostra, com resultados importantes. No mesmo ano, coordenou e apoiou a construção da “Casa AQUA”, espaço sustentável que foi um grande sucesso de público e mídia.