Adirplast enxerga com bons olhos venda da Braskem

A venda da participação da Odebrecht na companhia para a holandesa LyondellBasell, anunciada em junho deste ano, pode promover mudanças positivas no mercado

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Há alguns meses, o mercado de plásticos no país vive sob especulações da oferta de compra da participação da controladora Odebrecht na Braskem, empresa química e petroquímica brasileira, pela multinacional holandesa, LyondellBasell. O possível fechamento do negócio entre as empresas está previsto para os próximos meses. Apesar disso, a ADIRPLAST (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins) acredita que a concretização dessa venda trará benefícios ao segmento. “Isso deve tornar nosso mercado mais globalizado”, disse Laercio Gonçaves, diretor-presidente da entidade.

Para Gonçalves, os benefícios promovidos pelas tecnologias já usadas pela LyondellBasell e as plantas mais modernizadas serão grandes destaques dessa possível mudança. “A multinacional holandesa tem operações em mais de 17 países e uma experiência global que agregará muito ao mercado brasileiro, que se tornará mais competitivo”, explica.

O vice-presidente da ADIRPLAST, Osvaldo Cruz, concorda e acrescenta: “Essa transição é algo natural no mundo dos negócios. A LyondellBassell é uma empresa grande e que precisava de uma maior representação na América do Sul. A possível compra do controle da Braskem dará novas perspectivas para o mercado e dinâmicas comerciais que aportem conhecimento, além de  tecnologias de produtos e aplicações.

Cruz também afirma que a mudança de controle poderá trazer outro grande benefício ao mercado: voltaremos a discutir a alíquota de importação de 14%. “O debate sobre o motivo da atual alíquota de importação ser tão alta será agenda para todo o setor, podendo ocasionar alterações importantes e positivas para o mercado”, complementa.

Gonçalves acredita ainda que a união promoverá o surgimento de uma empresa mais globalizada: “Isso evitará o dumping (palavra utilizada no Comércio Internacional para designar a prática de aumentar as quotas de mercado), já que a empresa poderá movimentar seus produtos de diversas plantas para o Brasil, assim como levá-los para fora, criando um mercado livre e mais competitivo”.

Petrobras também discute venda de suas ações

A Petrobras também está negociando a venda de sua participação na Braskem para a LyondellBasell. De acordo com o jornal Valor Ecônomico, em uma reportagem de 14 de agosto, a Lyondell tenta comprar a Braskem em um processo de negociação exclusivo entre as partes. A operação pode ultrapassar os R$ 50 bilhões.

O presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, reiterou o plano de venda de ativos da estatal – cuja meta é de US$ 21 bilhões em 2018 – e a melhoria das métricas financeiras da companhia, com foco nos negócios do pré-sal. Da mesma forma, segundo fontes de mercado, a percepção na Odebrecht e na Lyondell é de que, apesar do debate, a venda da participação da Odebrecht deve ser consolidada.

LyondellBasell
No Brasil, a LyondellBasell possui apenas uma fábrica de compostos plásticos, em Pindamonhangaba (SP). A empresa opera em 17 países e possui 55 instalações produtivas. Em fevereiro, a companhia holandesa adquiriu a empresa norte-americana Schulman por 2,25 bilhões de dólares, dobrando o tamanho de seus negócios de plástico para embalagens, produtos eletrônicos e construção. Com a aquisição do controle da Braskem, a LyondellBasell será a maior produtora de polietileno e polipropileno do mundo.